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Bem-Vindos <33

domingo, 1 de fevereiro de 2026

In The Court of Crimson King, o álbum que definiu o rock progressivo

    Nada melhor pra começar os posts sobre música que falar sobre meu primeiro CD e um dos melhores álbuns da história, In The Court Of The Crimson King!!!!!!!

Capa do disco

Introdução

    Lançado em 10 de outubro de 1969, é o primeiro disco da banda inglesa King Crimson, formada por Greg Lake, Ian McDonald, Peter Sinfield, Robert Fripp e Michael Giles. Em um resumo breve, é um disco de rock progressivo que mistura diversos gêneros musicais, como jazz, folk e música clássica para criar uma atmosfera única, além de tratar de temas como guerra, morte, sonhos, política, desilusão, entre vários assuntos filosóficos que ilustram o ser humano em introspecção, como em uma observação (daí o subtítulo An Observation by King Crimson).

    Meu objetivo nesse post é falar um pouco sobre cada faixa, comentar algumas curiosidades e dar minha opinião pra cada uma, além de analisar o contexto da letra de cada uma sob a minha perspectiva, então caso algum de vocês tenha algo a adicionar, sinta-se livre para comentar!!!

Lista de faixas:

Parte de dentro do encarte
1- 21st Century Schidzoid Man (Including Mirrors);
2- I Talk To The Wind;
3- Epitaph (Including March For No Reason and Tomorrow And Tomorrow);
4- Moonchild (Including The Dream and The Illusion );
5- The Court Of The Crimson King (Including The Return Of The Fire Witch and The Dance Of The Puppets);

Capa

    A arte da capa e encarte foram pintadas por Barry Godber, amigo de Peter Sinfield e programador, que morreu em 1970 de infarto. É uma das capas mais emblemáticas da história, quase qualquer um reconhece pelo menos ter visto em algum lugar esse rosto distorcido em tons de vermelho. 

    Hoje em dia, a arte original é da posse de Robert Fripp. Sobre essa pintura, ele disse, uma vez:

"O rosto do lado de fora é o 'Schidzoid Man', e por dentro é o 'Crimson King'. Se você cobrir o rosto sorridente, os olhos revelam uma tristeza incrível. O que se pode acrescentar? Reflete a música"

Integrantes

King Crimson:

CD do álbum In The Court Of  Crimson King
  • Robert Fripp - Guitarra, Violão, Produção;
  • Ian McDonald - Saxofone alto, Flauta transversal, Clarinete, Vibrafone, Mellotron, Órgão, Piano, Cravo, Backing vocals, Produção;
  • Greg Lake - Voz, Backing Vocals, Baixo;
  • Michael Giles - Bateria, Tímpanos, Backing Vocals, Produção;
  • Peter Sinfield - Letras, Iluminação, Produção;

Staff de Produção:

  • Robin Thompson - Engenheiro de áudio;
  • Tony Page - Engenheiro assistente;
  • Barry Godber - Ilustração da capa;

 *lembrando que é tudo dito aqui sobre as letras é interpretação minha misturada com algumas coisas que vi na internet, não tome como verdade absoluta, eu recomento fortemente que você ouça o álbum (caso nunca tenha ouvido) para formar sua própria opinião ^-^


Análise por faixa


21st Century Schidzoid Man (Including Mirrors)

    A primeira faixa já se mostra uma abertura ABSURDA!!!!! Ela representa toda a energia (tanto política quanto sonora) que o álbum ainda vai apresentar, enquanto inova na música mainstream ao usar distorção na voz e no saxofone, criando um peso que será na minha opinião uma das grandes inspirações pra criação do heavy metal nos anos 70. 
    Uma curiosidade interessante sobre essas distorções é que, na verdade, parte delas não foi algo proposital. A distorção na voz foi testada (usaram um amplificador de guitarra como experimento) primeiro e gostaram da distorção, porém por conta da mesa de áudio mais barata que usaram e a má qualidade de algumas fitas, algumas faixas ficaram distorcidas sem querer (só não sei dizer quais exatamente, mas é capaz que, por exemplo, o saxofone não deveria ter saído tão distorcido, só talvez...).
    No geral, é uma faixa extremamente política que trata isso diretamente, sem enrolação, te colocando na pele de um homem esquizoide (que tem certa simbologia, irei falar mais pra frente) no futuro século 21, escancarando guerras sem sentido, morte e dor de inocentes enquanto homens gananciosos lutam entre si, usando de referência, por exemplo, bombas Napalm, muito utilizadas na guerra do Vietnã.
    O subtítulo "Mirrors" se trata da parte do meio, onde tem alguns riffs e um grande solo, além de, perto do fim, uma frase que é tocada pela banda toda. Eu diria que representa talvez um "reflexo" (por isso "Mirrors") da psique do tal "homem esquizoide", mas aí já se trata de suposições bobas :3


Vamos à letra:

Cat's foot, iron claw
Neuro-surgeons scream for more
Miku tocando a música pra vocês <3

At paranoia's poison door
Twenty first century schizoid man

Blood rack, barbed wire
Politicians' funeral pyre
Innocents raped with napalm fire
Twenty first century schizoid man

Death seed, blind man's greed
Poets' starving, children bleed
Nothing he's got he really needs
Twenty first century schizoid man

    Na primeira estrofe da música, a temática já é exposta: alienação, paranoia e descontrole ante o cenário que virá a se apresentar. O verso "Cat's food, iron claw", aparentemente, referencia uma fábula francesa (qual? não sei, fica aí o mistério hehehehehe) sobre manipulação que deixa bem claro a crítica à manipulação política. Os versos seguintes falam dessa posição de submissão forçada do indivíduo, além da sua saúde mental afetada (tanto pela guerra em si quanto pelo jogo político/econômico), transformando a pessoa em um ser fragmentado, que se torna "esquizoide".

    A mensagem da segunda estrofe é simples e direta: violência. É a música escancarando pro ouvinte a dor e a morte sem filtro algum. No meio disso, o verso "Politicians' funeral pyre", em contraste com "Innocents raped with napalm fire" ironiza muito bem a diferença entre os políticos (que podem ser pessoas poderosas no geral também) e os cidadãos, onde os inocentes são explicitamente violados por bombas com tecnologia cruel que GARANTE sua morte, enquanto os políticos tem sua "pira funeral" celebrada e respeitada, mostrando o descaso com as pessoas BRUTALMENTE MORTAS por decisões dos mesmos. E, novamente, a menção ao "homem esquizoide", que observa passivamente esse cenário.

    A última estrofe tem um significado parecido com o segundo, com o detalhe, explicitado em "Death seed, blind man's greed" e "Nothing he's got he really needs", de realçar a natureza gananciosa e megalomaníaca desses homens poderosos, ao ponto de colocar vidas em jogo por simples desejo de poder.

Considerações finais

    Essa faixa é a abertura perfeita para um disco como In The Court Of The Crimson King, sendo uma crítica direta à guerra e os desejos gananciosos, além do jogo manipulativo político. O personagem principal, o "homem esquizoide do século 21", é uma figura que vive e observa alienado o ambiente que vive, também servindo como um alerta para a passividade e falta de atitude diante de um mundo corrompido.


I Talk To The Wind

    Essa é uma faixa muito esquecida pelos fãs e pelas pessoas no geral, sendo que, para mim, ela é muito muito linda e tem um significado muito interessante, sinto que ela é um tanto subestimada até. 

    Eu considero ela, musicalmente, como uma antítese da primeira faixa, que vem para desestressar os ouvidos da cacofonia distorcida da primeira faixa e deixar a pessoa mais tranquila, pronta para entender com mais facilidade e conforto o que essa faixa tem a dizer.


Vamos, novamente, à letra:

Said the straight man to the late man
'Where have you been'
'I've been here and I've been there
And I've been in between'

I talk to the wind
My words are all carried away
I talk to the wind
The wind does not hear
The wind cannot hear

I'm on the outside looking inside
What do I see
Much confusion, disillusion
All around me

I talk to the wind
My words are all carried away
I talk to the wind
The wind does not hear
The wind cannot hear

You don't possess me
Don't impress me
Just upset my mind
Can't instruct me or conduct me
Just use up my time

I talk to the wind
My words are all carried away
I talk to the wind
The wind does not hear
The wind cannot hear

I talk to the wind
My words are all carried away
I talk to the wind
The wind does not hear
The wind cannot hear

Said the straight man to the late man
'Where have you been'
'I've been here and I've been there
And I've been in between'

    A primeira estrofe é bem interessante, pois apresenta um diálogo entre o "homem certo/correto" e o "homem atrasado", onde o homem correto pergunta por onde o homem atrasado esteve, e ele responde, de forma poética: "I've been here and I've been there and I've been in between". Essa fala, como continuará a ser por todo o texto, demonstra uma clara desconexão com o mundo físico, tanto de maneira filosófica quanto talvez de uma maneira literal (dependendo de como você interpreta) desse personagem. É implícito se a letra concorda ou discorda das "atitudes" do homem atrasado, ela simplesmente te mostra uma visão de mundo de absoluta desconexão.

    A próxima estrofe é o refrão, que eu entendo como sendo dita pelo personagem do homem atrasado, reforça sua filosofia onírica acerca da realidade, e até um tanto niilista por certo prisma, ao denotar que não importa o quanto você fale, o vento vai levar suas palavras, além do vento ser surdo. Ou seja, as ideias, opiniões e emoções das pessoas são, na visão desse personagem, irrelevantes perante ao vento (que pode representar o próprio conceito da vida).

    A partir daí, existem apenas duas estrofes a mais na música, sendo o resto repetições do refrão e, no final, a repetição da primeira estrofe, que será seguida por um LINDO solo de flauta transversal do Ian McDonald. Vou comentar sobre as duas em ordem de aparição.

    Essa primeira estrofe após o refrão fala claramente sobre introspecção, "I'm on the outside looking inside", e segue mostrando a fragmentação da psique do personagem, "Much confusion, disillusion", além de talvez uma certa confusão da esfera pessoal com a esfera social dele, "All around me", no sentido de sentir que suas desilusões e confusões estão presentes não só nele como no ambiente.

    Após mais um refrão, a última estrofe inédita da música finaliza a ideia de desconexão mostrando a clara aversão do personagem a instruções ou comandos, apatia e individualismo forte, provavelmente conectado a ideia de irrelevância pessoal em comparação ao vento. Também dá pra dizer que mostra talvez uma certa tristeza por parte do personagem, principalmente quando ele fala "Just upset my mind", colocando certa ambiguidade em como a letra trata essa visão (nesse caso sendo negativa, mas em outros momentos o texto considera neutra ou positiva).

Considerações finais

    É uma música mais tímida e nublada na minha visão, colocando uma visão ambígua sobre o mundo e a vida, como, talvez, em pensamentos inconscientes/emoções. Eu gosto bastante da contribuição sonora pro significado da música, a escolha de acordes maiores com sétima maior (para quem não entende de música, é um acorde que é um tanto ambíguo dependendo da pessoa que você pergunta, umas afirmando que é relaxante e outras que é estressante e dissonante por conta do intervalo da sétima maior, estando ela um semitom abaixo da nota tônica da escala) e as texturas mais leves da flauta e da voz do Greg Lake são pontos chave para se entender a música, não só liricamente, mas também sonoramente.


Epitaph (Including March For No Reason and Tomorrow And Tomorrow)

    Provavelmente a faixa com a letra mais complexa do álbum, cheia de alegorias e metáforas que direcionam o contexto geral do sentido da música para uma desesperança triste sobre o futuro da humanidade. Eu vou tentar dissecar ela com minha interpretação, mas com certeza faltará muitas referências e talvez eu interprete de uma maneira um tanto diferente da sua, então principalmente com essa música, é importante que você mesmo a ouça e a entenda por si próprio.

    É com certeza minha favorita do disco, principalmente pelo seu teor lírico extremamente emotivo e compatível com nossos tempos atuais (talvez até mais que na época em que escrita), além da performance IMPECÁVEL da banda, principalmente o Ian McDonald com o Mellotron e os diversos instrumentos que ele toca, sendo uma música que não só fala pela letra, mas também pelos instrumentos.

    Falarei mais disso na análise por estrofe, mas também adoro a relação dos subtítulos com as suas respectivas partes da música, "March For No Reason" se referindo a parte instrumental do dedilhado do violão e a construção gradual dos instrumentos (principalmente o tímpano, que escolha magnífica (✯◡✯)), e "Tomorrow And Tomorrow" o final, em que a letra repete incessantemente "crying" (logo falarei sobre) e outro timbre de Mellotron toca bem agudo e em tercinas (para quem não manja de música, tercina é uma figura de ritmo musical que conta 3 tempos por compasso, ao invés de 4, como na música inteira), trazendo essa sensação de arrasto e progressão forçada (MINHA PARTE FAVORITA!!!!!).


Então, vamos entender a letra:

"Confusion will be my epitaph"

The wall on which the prophets wrote
Is cracking at the seams
Upon the instruments of death
The sunlight brightly gleams

When every man is torn apart
With nightmares and with dreams
Will no one lay the laurel wreath
When silence drowns the screams?

Confusion will be my epitaph
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back and laugh
But I fear tomorrow I'll be crying
Yes I fear tomorrow I'll be crying
Yes I fear tomorrow I'll be crying

Between the iron gates of fate
The seeds of time were sown
And watered by the deeds of those
Who know and who are known

Knowledge's are a deadly friend
If no one sets the rules
The fate of all mankind I see
Is in the hands of fools

The wall on which the prophets wrote
Is cracking at the seams
Upon the instruments of death
The sunlight brightly gleams
"The walls on which the prophets wrote is cracking at the seams"

When every man is torn apart
With nightmares and with dreams
Will no one lay the laurel wreath
When silence drowns the screams?

Confusion will be my epitaph
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back and laugh
But I fear tomorrow I'll be crying
Yes I fear tomorrow I'll be crying
Yes I fear tomorrow I'll be crying

Crying

Crying

Yes I fear tomorrow I'll be crying

Yes I fear tomorrow I'll be crying

Yes I fear tomorrow I'll be crying

Crying

    A primeira estrofe (na letra aí encima, eu dividi a primeira estrofe em duas para ficar melhor de ler, mas eu vou me referir a essas duas partes como uma só, ok?) nos coloca já em um cenário ruindo, saberes antigos se quebrando, pessoas fragmentadas, a dura luz do sol brilhando sem dó alguma (que nesse caso representaria a indiferença da vida e do tempo com nossas expectativas e sonhos), e principalmente os dois últimos versos, "Will no one lay the laurel wreath when the silence drowns the screams?", que basicamente escancara que independentemente de quanto nós (sociedade/pessoas) tentemos lutar contra forças opressoras poderosas, esses gritos serão suprimido pelo silêncio (opressão em si). 

    A "laurel wreath" pode representar tanto o desejo de ter poder quanto o próprio poder mesmo, que, nesse segundo caso, se relaciona diretamente com os dois versos anteriores, "When every man is torn apart with nightmares and dreams", colocando que a busca pelo poder destrói a pessoa.

    A próxima estrofe, sendo o refrão, sumariza a ideia da música perfeitamente. O verso "Confusion will be my epitaph" é extremamente carregado de significado, mostrando, primeiramente, a posição de vítima do indivíduo, a fragmentação pessoal expressa em confusão, e a clara desilusão com qualquer perspectiva de melhora, explicitada quando dito que essa então confusão será gravada no epitáfio desse eu lírico (epitáfio é a frase que fica gravada na sua lápide, a título de esclarescimento). 

    Existe uma antítese muito bem colocada entre os versos "If we make it, we can all sit back and laugh" e o próximo "But I fear tomorrow I'll be crying", que mostra que a pessoa até tenta abstrair uma felicidade utópica no caso de "conseguirmos" (que seria uma vitória nessa luta contra o sistema e etc), mas, por consequência do ambiente, se desfaz da ideia pelo medo do amanhã (ou a certeza da dor do amanhã). A repetição desse último verso do refrão também pode servir como agravante dessa incerteza.

    Partindo pra última estrofe inédita (depois se repetirá a primeira estrofe e o refrão após a parte instrumental "March For No Reason"), é nela que o significado principal mora. Nos primeiros dois versos, se testifica que o tempo corre numa linha predestinada, sem possibilidade de mudança. Nos dois próximos, fica um pouco mais difícil de entender exatamente o que se diz, mas parece afirmar que tal destino é manutenido pelos dedos de pessoas "que conhecem e que são conhecidas" (talvez signifique pessoas poderosas/influentes, mas não sei). 

    Já nos próximos quatro versos, é bem claro sua mensagem: o destino é a destruição. Os versos "Knowledge's a deadly friend if no one sets the rules" demonstra o perigo de se "conhecer" (que pode significar ter poder, literalmente ter conhecimento ou algo entre esses dois, qualquer uma das opções funciona) sem regras nem restrições, ou seja, possuir mais do que deveria e não ter cuidado com essa posse, que é complementado pelos próximos versos (que, pra mim, são um melhores do álbum inteiro): "The fate of all mankind, I see, is in the hands of fools".

    Direto ao ponto, cru e salgado de se engolir, mas que profetiza uma verdade sobre nós e nosso mundo. É o motivo central de toda a desilusão e desesperança da música (e um pouquinho do álbum também).    

    É depois desse verso que "March For No Reason" começa, ilustrando perfeitamente uma tentativa de luta contra a opressão e o destino cruel da humanidade, porém sem nenhum sucesso, marcado pelo dedilhado triste de violão, a subida enérgica de todos os instrumentos da música, e a quebra antes da repetição do primeiro verso.

    Após isso, o primeiro verso se repete, mas com a voz cantando em uma oitava acima, com muito mais potência e emoção, ressaltando o peso negativo dessa filosofia do eu lírico. Logo depois, o refrão repete, porém com uma diferença no final: o início de "Tomorrow And Tomorrow", uma tradução sonora do sentimento de impotência e tristeza sobre o futuro catastrófico que virá logo. 

    Os tímpanos poderosos batem fundo na alma, sempre estimulando esse peso grave da seção, o vocal agudo e sofrido da frágil voz de Greg Lake entoando as palavras presas na garganta de milhões de pessoas angustiadas: "Yes, I fear tomorrow I'll be crying", os pratos ásperos e quebrados da bateria refletindo as pontadas dolorosas no coração, o Mellotron sequencial e contrastante com o ritmo da música arrastando todo esse peso filosófico e emocional do que ouvimos até agora, e um fade out no fim da música, representando que o fim do futuro não é um desastre pontual, mas sim a lenta e implacável fragmentação do presente, nos prendendo numa eterna espiral de esperança e desilusão.

Considerações finais

    Como já disse, é minha música favorita do disco e da banda (agora ainda mais depois de escrever essa análise, pois mesmo já entendendo isso sobre a música, eu nunca tinha posto em palavras, muito menos organizado, então acaba que agora eu tenho uma linha muito mais concreta para ouvir e entender a música hehehehehhehehe :3), que representa muito bem os temas centrais do disco, representando toda essa dor construindo imagens surreais e estranhas, que faz com que o ouvinte sinta na pele o que a música quer dizer (e se identificar, pois nós vivemos, querendo ou não, mais ou menos a mesma coisa que a música fala sobre, infelizmente). 

    É definitivamente uma música interessantíssima de analisar e de entender, a genialidade do Peter Sinfield ao escrevê-la e do resto da banda ao performá-la transforma toda essa experiência numa catarse filosófica.


Moonchild (Including The Dream and The Illusion)

    Novamente, um relaxamento após o arrasto melódico do fim da última faixa (dá para perceber certo movimento ondulatório no disco, né? Tenciona, relaxa, tenciona, relaxa... Detalhe interessante hehehehhehe), além de ser a faixa mais onírica do disco, falando sobre seres estelares, astros espaciais, e tratando tudo isso num ambiente de sonho, noturno e até um tanto infantil.
    Eu considero a faixa mais fraca do disco (não ruim, fraca) por conta das partes finais "The Illusion" e "The Dream", que são, basicamente, um grande e chato improviso e até certa bagunça sonora em "The Illusion". Dá pra tirar um significado para os subtítulos, mas eu acredito que talvez não tenha sido projetado pela banda significado algum (mas eu vou tirar sim, até porque o post é meu e eu faço o que eu quiser (・ω<)☆)


Para a letra, pederneiras!

Call her moonchild
Design da carta de Tarot "A Lua"
Dancing in the shallows of a river
Lonely moonchild
Dreaming in the shadows of a willow

Talking to the trees of the cobweb strange
Sleeping on the steps of a fountain
Waving silver wands to the night-bird's song
Waiting for the Sun on the mountain

She's a moonchild
Gathering the flowers in a garden
Lovely moonchild
Drifting in the echoes of the hours

Sailing on the wind in a milk white gown
Dropping circle stones on a Sun dial
Playing hide and seek with the ghosts of dawn
Waiting for a smile from a Sun child


    As estrofes nessa música não parecem ter uma ordem cronológica muito clara, então basicamente cada verso é como uma gota d'água num rio em fluxo. Mas, vou analisá-las na ordem da música.

    A primeira estrofe começa a construção da personagem "Moonchild", que representa esse estereótipo da criança pura, doce e inocente, além do arquétipo feminino da "Deusa" (que seria essa mulher conectada com a arte, a beleza e afins), detalhando algumas interações dela com o ambiente, como sua dança perto dos rios e o descanso (seguido de sonho) em um salgueiro, reafirmando a mansidão da personagem e apresentando a temática onírica da letra, da personagem e do ambiente. A lua pode significar essa conexão com o aspecto feminino da psique humana da personagem, e por ser filha dela, seria como uma encarnação desse lado do nosso ser.

    A segunda estrofe continua a detalhar mais pequenas coisinhas que ela faz, mas algo que fica bem claro na letra é a conexão da personagem com a natureza, que reforça mais sua pureza. O último verso, "Waiting for the Sun on the mountain", nos relembra que a outra metade da equação, o sol (representando o aspecto masculino do ser humano), também faz parte da existência da nossa protagonista, que está separada dele e espera pela reconexão, em algum momento, talvez como um pequeno alerta psicodélico que nós humanos temos tanto o feminino quanto o masculino dentro da gente e é importante entender, aceitar e respeitar a força deles em nós (na minha visão, claro (; ω ; )ヾ(´∀`* ))

    Assim como as estrofes passados, a terceira estrofe conta mais sobre o que a "Moonchild" cosuma fazer, como catar flores de um jardim e vagar pelas horas. Eu sinto que essa letra pode servir como um gosto doce após as três amargas faixas passadas, lembrando que existe sim ainda uma "criança" inocente e alegre em cada um, talvez como refúgio, talvez como essência, mas presente.

    A última estrofe (que toca quase no começo da música (∪。∪)。。。zzZ) finaliza o ciclo não cronológico da letra, falando mais sobre a protagonista e suas atitudes. É interessante destacar a presença do "sun dial", mostrando, de novo, a conexão da lua com o sol (feminino e masculino), e também a menção de uma "sunchild", quase como testificando essa ideia meio yin yang que existe implícita.

    Após o fim da letra, começa a parte instrumental da música. "The Dream" é essa baladinha mellotrônica improvisada que pode representar um simples sonho da protagonista. "The Illusion" vem em sequência, sendo uma improvisação sonora de vários timbres e barulhos presentes no estúdio e, no final, uma mini baladinha em tom maior. É provavelmente a representação dessa ilusão desconexa e onírica, que no final acaba com um sabor doce e uma cor dourada, pintando essa música como uma bela estrela.

Considerações finais

       Por mais que seja uma música desnecessariamente longa, ela é uma ótima pausa sonora no disco, sendo a mais calma, mais lenta e mais "brilhante", trazendo um grande descanso para os ouvidos antes da última faixa (ah, a última faixa... ヾ(☆▽☆)). Ela soa como uma bela pintura da noite (eu gosto de associar essa música com a pintura "Noite Estrelada", de Van Gogh), pintada em tons acinzentados e escuros, contrastando com o brilho dourado das estrelas e da lua. Eu sou um grande fã de qualquer coisa que envolva sonhos e corpos celestes, então essa música é um prato cheio para alguém como eu, que ama imaginar coisas distantes :3


*antes da última faixa, eu gostaria de agradecer se tiver alguém lendo isso, foram 3 dias de trabalho, pesquisa, organização (e uma pitadinha de programação HTML) para realizar esse post. Eu pretendo fazer outros como esse em um futuro próximo, se você tiver alguma sugestão, por favor, comente!!!!! (esse post mesmo foi uma sugestão de uma amiga muito querida, então saibam que eu ouço!!!!! :P)


The Court Of The Crimson King (Including The Return Of The Fire Witch and The Dance Of The Puppets)

    Última faixa desse disco magnífico, fecha com chave de ouro toda a mistura sonora do disco, com um riff emotivo, lento e grandioso, representando tanto o fim do disco como preparando os ouvidos para mais uma odisseia onírica.

    Essa música como todas as outras foi escrita por Peter Sinfield. Ela é especial nesse sentido pois, segundo o mesmo, foi escrita após um sonho que ele teve, em que via todos os eventos da letra (que comentarei a seguir) pessoalmente, como se estivesse lá, além da imponente figura do "Crimson King", representado na parte interior do encarte do LP.


E, pela última vez por hoje, vamos à letra:

Crimson ki- opa... Crimson King errado hehehehehehheh
The rusted chains of prison moons
Are shattered by the sun
I walk a road, horizons change
The tournament's begun
The purple piper plays his tune,
The choir softly sing
Three lullabies in an ancient tongue
For the court of the crimson king.


The keeper of the city keys
Put shutters on the dreams
I wait outside the pilgrim's door
With insufficient schemes
The black queen chants the funeral march
The cracked brass bells will ring
To summon back the fire witch
To the court of the crimson king

The gardener plants an evergreen
Whilst trampling on a flower
I chase the wind of a prism ship
Crimson King
To taste the sweet and sour
The pattern  juggler lifts his hand
The orchestra begin
As slowly turns the grinding wheel
In the court of the crimson king

On soft gray mornings widows cry
The wise men share a joke
I run to grasp divining signs
To satisfy the hoax
The yellow jester does not play
But gently pulls the strings
And smiles as the puppets dance
In the court of the crimson king.


    A primeira estrofe não poupa o ouvinte da linguagem ilustrativa e psicodélica da música, nos colocando em frente a luas-prisões e figuras místicas, como o "purple piper". Essa primeira parte constrói um pouco do mundo dessa música, colocando um observador como quem descreve o ambiente (tal qual o apóstolo João no livro de Apocalipse). Talvez pela presença desse observador, o "torneio" começa, desencadeando um coro, liderado pelo flautista misterioso, que canta, não uma, mas três canções de ninar em uma língua antiga para a grande corte do rei carmesim (que representa a mais alta posição da hierarquia desse mudo, aparentemente).

    Apesar da tradução descarada que acabei de fazer, esse pedaço da letra já introduz a dinâmica de poder presente na letra toda, em que os habitantes desse mundo prestam homenagens à corte do rei carmesim. Mais a frente no texto, será perceptível diversas contradições e ironias, além da aparente decadência desse mundo "The rusty chains of prision moons are shattered by the sun".

    Na segunda estrofe, mais eventos ocorrem. O eu lírico parece interagir com esse ambiente, e parece se direcionar à corte. Gostaria de destacar alguns pontos em específico dessa estrofe, como, primeiramente, o guardião das chaves da cidade colocando persianas/coberturas nos "sonhos" (pode ser uma ilustração que, nesse mundo, o poder que traz segurança às pessoas também limita e controla os desejos delas. O que exatamente isso significa? Não faço ideia hehehhehehe). Também é interessante a menção de uma "porta do peregrino", que me lembra aquele conto do José Saramago, O Conto Da Ilha Desconhecia, que talvez sinalize que essa tal corte do rei carmesim não é tãããão honesta e justa. 

    Além disso, tem a descrição de mais um evento, realizado por uma "black queen" (que nada se refere a cor de pele dela, espero...), que canta uma marcha fúnebre com sinos rachados com o objetivo de invocar novamente a "fire witch", claro, para satisfazer a corte do rei carmesim.

    A ironia que mencionei antes fica clara nos primeiros versos da terceira estrofe, onde um jardineiro planta uma planta (aliteraçãozinha básica nehhh :P) enquanto pisoteia uma flor, escancarando hipocrisia. O nosso eu lírico continua sua estranha jornada, perseguindo um "prism ship" querendo provar tanto do doce quanto do azedo (que atenua o caráter observador e investigativo do eu lírico). 

    No final da estrofe, mais uma figura interessante realiza outro evento (eu acredito que cada um desses personagens possam ou fazer parte da corte ou ter um cargo mais elevado dentro da hierarquia desse mundo, por isso a menção específica a eles). O tal "pattern juggler" dá um sinal para uma orquestra começar enquanto gira um esmeril, dessa vez já dentro (provavelmente não fisicamente) na corte do rei carmesim. Esse esmeril pode significar a manutenção de um grande ciclo inescapável em que todos vivem, basicamente tirando um futuro da população e transformando a existência de todos em servidão à corte através de um sistema desfavorável.

    Entre a terceira e a quarta estrofe, tem um interlúdio instrumental, que recebe o subtítulo de "The Return Of The Fire Witch", indicando que o evento da segunda estrofe teve sua consequência, que provavelmente influenciará o curso na história na quarta estrofe.

    Na quarta e última estrofe da faixa (a mais bonita na minha opinião) e também do disco, a história finaliza ilustrando o possível sofrimento da população no evento final do ciclo desse mundo, onde as viuvas choram e os sábios contam piadas (talvez por entender que o fim está próximo). O eu lírico finalmente revela o objetivo de sua peregrinação e observação, após deixar claro a sua tentativa final de compreender sinais de adivinhação, com o objetivo de alimentar e satisfazer a "hoax"

    A tradução dessa palavra é um tanto complicada, mas costuma significar uma mentira/distorção intencional com objetivo de parecer verdadeira ou esconder uma segunda intenção. A partir daí, existem alguns caminhos interpretativos. O que eu acredito fazer mais sentido sugere que talvez o eu lírico possa ser também uma das figuras que prestam homenagens e contribuem para o ciclo da corte do rei carmesim, sendo a corte representada pela "hoax".

    E, finalmente, como último evento, o "yellow jester" gentilmente estica e puxa cordas, sorrindo (na minha cabeça com um sorriso beem maligno \(〇_o)/) enquanto as marionetes (provavelmente a própria população) dançam, novamente, na corte do rei carmesim. Essa parte é fácil de deduzir com base no resto da minha interpretação: a corte manipula as pessoas diretamente, ou seja, não é um poder honesto nem democrático, mas sim imposto por meias verdades e manipulações de todos os tipos. É interessante a crítica, mesmo que talvez não intencional (por se basear num sonho), pois condiz com os temas do resto do disco.

    Depois disso, começa a parte subtitulada como "The Dance Of The Puppets", que toca um pequeno riff silencioso e depois repete o riff principal um tom acima, com um Mellotron adicional improvisando meldoias. É o fechamento de todo o disco, todas as questões levantadas e exploradas sendo reempacotadas sonoramente, cada lágrima talvez chorada pelo ouvinte, cada arrepio na espinha, cada sorriso e principalmente cada sentimento ressoado dentro da alma sendo finalmente representado sonoramente e organizado, pondo um fim digno para uma obra magnífica, que incomoda e desafia, ao mesmo tempo que conforta e explica. O fade out aqui já não significa agonia, significa adeus. Significa deixar para trás uma experiência única e não se esquecer do que aprendeu ao ouvir e ao sentir. É, de fato, uma das melhores finalizações de álbum da história.

Considerações finais

    É uma música muito gostosa de ouvir e imaginar os cenários que ocorrem nela, além de, indiretamente, criticar modelos de poder e manipulação através de símbolos e personagens, além de contar muito bem sua própria história e mundo, Peter Sienfield é um puta letrista.


Finalização

    E é com isso, queridos amigos e leitores, que eu termino minha singela análise e interpretação do disco In The Court Of The Crimson King, além de contar um pouquinho da sua história, falar algumas curiosidades e fazer piadinhas ridículas ☆*:.。.o(≧▽≦)o.。.:*☆.

    Esse é um álbum muito importante pra mim e definitivamente um dos meus favoritos da VIDA!!!!!! Aproveitei o espaço do blog pra comentar sobre ele de um jeitinho um pouco mais profisisonal (eu me atentei ao português bastante viu, mas não garanto que não errei bastante também hhehehehhehehhe). Serviu pra mim também como análise pessoal, pois sentia que eu precisava fazer algo assim em algum momento.

    Obrigado a todo mundo que leu até aqui (provavelmente quase ninguém 。・゚゚*(>д<)*゚゚・。), deu um TRABALHAÇO, fique ligado pois eu com certeza farei mais post assim no futuro. Também não fique com preguiça de ler pois eu também posto besteiras mais curtas e mais leves de se ler, então SEGUE AÍ!!!!!!!!!

E, finalmente... SO LONG AND GOODNIGHT <333


Referências Bibliográficas

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<i>SO LONG AND GOODNIGHT...</i>

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